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Empreender para viver

Sou profissional liberal desde a minha colação de grau em 1976. Estive poucas vezes empregada em minha vida e, portanto nunca senti esta sensação de desemprego que vejo angustiar muitos profissionais.

A educação da minha geração foi muito paternalista, a grande maioria das pessoas foi preparada para um emprego com garantias e segurança até que a aposentadoria chegasse. Há vinte anos era quase que natural sair da faculdade e estar empregado.

Resolvi escrever sobre este assunto ao perceber muitos profissionais com a sensação de desempregados. Autônomos, se sentiam inseguros como se não conseguissem mais ter clientes, como se estivessem sem espaço para poder desenvolver seu trabalho. É uma sensação de frustração, de impotência, de medo, de angústia, de desespero...

Comecei a falar com alguns micro-empresários que diziam: “sou um desempregado que abriu a própria empresa para poder prestar serviço, mas me sinto ainda desempregado”.

Tudo isso chegou ao ápice quando falei com uma amiga que presta serviço de auditoria para um hospital como contratada e ela me disse: “...estou down hoje, pois o diretor do hospital ‘caiu’ por problemas políticos e eu não sei se vou estar empregada na segunda-feira”.

Cheguei à conclusão de que o que precisamos mudar é o conceito. O paradigma já é outro, o mundo atravessa uma grande reformulação de todo seu contexto, os referenciais são outros, mas nós ainda estamos pós- revolução industrial, discutindo politicamente o emprego, a escravização assalariada, como diziam os pensadores da época.
Você já se perguntou como era antes de existir emprego? Antes da revolução industrial?

Para resolver os problemas de hoje, eu acredito em uma sociedade civil organizada, e para isso eu acredito em um novo homem, íntegro, com a consciência ampliada. Portanto, essa idéia de estar empregado, essa necessidade de estar seguro e ter garantias é que nós devemos repensar, e perceber que hoje precisamos estar soltos para podermos aproveitar as oportunidades e ocupar os espaços que nos aparecem, como na história de Richard Bach:

Era uma vez uma civilização que vivia submersa no mar, e de geração em geração seu povo aprendeu que a única forma de sobreviver era se segurando aos arbustos, às pedras, ao solo do oceano. Até que um dia, um jovem começou a questionar o porquê de terem que viver sempre se segurando, se rastejando no oceano... Seus companheiros diziam: “se aquiete, nossos avós viveram assim, nossos pais nos criaram assim, há gerações que o nosso povo vive desta maneira. Isto não é o suficiente para você entender que não deve se soltar?”. Mas o jovem inconformado não queria passar a sua vida inteira preso como musgo às pedras sendo que ele tinha braços para nadar.

E, num momento de grande coragem ele se soltou. A correnteza o jogou contra as pedras e eis que todos gritaram: “Não dissemos, ele morreu”. Mas não, ele começou a nadar e aproveitar o movimento e as forças do mar para poder se locomover cada vez com mais prazer e eficiência. Sentia uma leveza fantástica, era com se estivesse no colo de Deus e chamava seus amigos para fazerem o mesmo, pois era muito bom. Mas o pessoal lá embaixo se agarrava cada vez mais aos arbustos com muito medo, enquanto o jovem ia feliz ganhando espaço e caminhando em direção a uma magnífica luz que jamais imaginou existir. Quanto mais se soltava mais cambalhotas e leveza se proporcionava e mais longe ia ficando do seu povo. Até que ele sumiu e se tornou uma lenda, a lenda de que um dia um jovem inconformado com a vida que lhe ofereciam se soltou e foi realizar um sonho.

Este artigo pretende tranqüilizar e minimizar as expectativas e ansiedade dos profissionais em geral, convidando todos ao empreendedorismo.

Por Leila Navarro, palestrante.

"Leila Navarro é autora de vários livros e uma das palestrantes mais requisitadas do Brasil, ministrando palestras em todo o Brasil e na Europa."

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